segunda-feira, 15 de julho de 2013

A CÚPULA DO MERCOSUL, UNASUL E A DECISÃO INTELIGENTE

Por Profa. Guilhermina Coimbra*
O governo brasileiro inteligente tem que impulsionar o MERCOSUL e não colaborar para que não acabem de vez com o processo de integração do MERCOSUL, UNASUL.
Inexiste aliança inteligente fora do Atlântico Sul, o que existe e continuará a existir sempre será a aliança para a subordinação, a aliança para a cooperação  - desde já se entendendo subordinação como aquela na qual o Brasil se submete, nos acordos  plenos de cláusulas abusivas, cláusulas leoninas e anti-concorrenciais, acordos maravilhosos para os lobistas e representantes de interesses alheios aos do Brasil, que conseguirem convencer (?) os signatários a assiná-los em nome do Brasil. Vale dizer: cujos ônus, prejuízos serão cumpridos pelos residentes no Brasil.
O MERCOSUL E A UNASUL não podem se deixar ficar na mira de ataques encarniçados que têm o objetivo óbvio de explodi-los.
O MERCOSUL E A UNASUL não podem ser as atuais cobaias de experiências já testadas na Aliança para o Progresso e que deram no que deram, com enormes prejuízos para os países da  América do Sul. Notadamente o Brasil, por ser o país de maior potencial  a oferecer aos que tentam perseverantemente continuar enriquecendo a custa de péssimos acordos internacionais, firmados por péssimos plenipotenciários, com a desculpa de que foram “pressionados”. Divulgar as pressões é preciso.
Derrotar as manobras secretas para implodir o projeto de integração exigirá, da mesma forma como ocorreu com a Aliança para o Progresso, de toda a firmeza e inteligência dos movimentos sociais, das forças políticas e dos governos sul-americanos  inteligentes – em diversos graus.
A população do Brasil e a população dos países da América do Sul é inteligente. Não se deixa iludir, nem induzir, nem acreditar  novamente em absurdas teses e promessas mirabolantes cujo objetivo é único e perseverante: se apossar dos bens públicos dos Estados da América do Sul das minas e dos minérios geradores de energia que jazem no subsolo dos Estados sul-americanos: hidrocarbonetos (petróleo e gás) e nucleares ( urânio, nióbio, lítio, berilo e outros). 
Entender o contrário será outra fenomenal derrota para as populações da América do Sul.
Impressiona a indecisão do Governo brasileiro relativa ao papel que deve  - por dever de ofício – desempenhar no projeto de integração da América do Sul.
O Governo do Brasil não pode tem que se posicionar porque dele depende a continuação do estado de miséria crítica, de subdesenvolvimento  e de des-infra-estrutura, com a qual têm convivido as populações dos Estados da América do Sul.
Sem a menor pretensão de liderar, o Brasil lidera - por ser um dos maiores países e de maior potencial a oferecer - os demais Estados sul-americanos os quais aguardam decisão inteligente do governo do Brasil.
Em Brasília, o Governo do Brasil não pode se deixar seduzir pelo “canto de sereia” de país algum fora do Hemisfério Sul-Americano, o qual, costumeiramente encanta  os lobistas e representantes de interesses que não são os interesses das populações da América do Sul.
O Governo do Brasil  não pode subestimar e jogar fora o processo integracionista sul-americano. Copiar o que está dando  certo não é desdouro e o exemplo de integração e de união que faz a força é a União Européia, na qual arquiinimigos se uniram pelo bem comum.
Há que se desmantelar o trabalho perseverantemente realizado pelos interesses contrários à integração sul-americana, na política e na diplomacia do Brasil.
Em extensa reportagem ao jornalista Paulo César Pereira, revista Veja, os brasileiros tomaram conhecimento expresso sobre a posição de um de seus representantes no Itamaraty.
A primeira pergunta formulada pelo jornalista foi a seguinte: "Em todos seus anos como diplomata profissional, que imagem tem dos Estados Unidos?”.
A resposta assombrosa foi: "É difícil falar de maneira objetiva porque tenho um envolvimento emocional (sic!) com os Estados Unidos através de minha família, de minha mulher e de sua família. Existem aspectos da sociedade americana que admiro muito”.
Tratando-se de um diplomata do tradicionalmente independente Itamaraty, no que concerne a defesa do interesse nacional brasileiro e de suas instituições –MERCOSUL, UNASUL- que tem por dever de ofício, participar ativamente na promoção da autodeterminação dos países da América do Sul, a resposta enseja o comentário seguinte:
“Nós também - os brasileiros de bem - amam a solidariedade, a organização, a funcionalidade e o respeito ao próximo, do ordeiro povo norte-americano. Mas., este amor - demonstrado e reconhecido pelos governantes deles, relativamente ao consumismo dos brasileiros –– não impede que os brasileiros pensem, existam e exijam respeito, a um dos maiores empreendimentos nos quais, juntamente com os sul-americanos se unem: o MERCOSUL, a UNASUL”.
Não dá mais para acreditar que o futuro do Brasil passa por uma íntima associação com um único parceiro, esquecendo os vizinhos sul-americanos. O Brasil é sócio de sócios diversificados, não pode subestimar nem esquecer os seus vizinhos sul-americanos. A união faz a foca e nos seus negócios – sem intermediários –com a Europa, a Asia e a Africa, a união mostrará a força que detém.
Essa corrente - ainda não  inteligentemente hegemônica em Brasília - terá que sê-lo, porque a questão é de sobrevivência das populações sul-americanas, não é questão de sobrevivência dos interesses imediatistas comissionados de lobistas e representantes brasileiros ou estrangeiros.
A política diplomática brasileira sempre foi considerada e respeitada. Uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU não pode ser entendida como uma barganha inteligente, porque não é: vai privilegiar a vaidade de um ou outro  representante brasileiro que estará ocupando o lugar pra dizer amem, às reivindicações dos demais Membros do Conselho.
Há que se inteligentemente não se deixar envolver pelo trabalho eficiente e perseverantemente feito há tempos - no qual se notam êxitos consideráveis - sobre a direção política, diplomática e militar do Brasil para que modere sua intervenção nesses processos. Os brasileiros percebem e rechaçam tais manobras, todas tendentes a prejudicá-los, enquanto privilegiam representantes e lobistas das referidas áreas.
A Índia e o Paquistão (duas potências atômicas) a Indonésia (a maior nação muçulmana do mundo)  o Egito, a Nigéria (país mais povoado da África) e o Japão e a Alemanha, conformam-se – sem maiores reivindicações e cobiças - em manter seu status atual de membros transitórios desse organismo.
Fácil imaginar, o que não é improvável de acontecer, caso ocorressem  sérias diferenças entre o Brasil e os ora tentam perseverante acabar com o MERCOSUL e a UNASUL, na disputa;
- pelo acesso a alguns minerais estratégicos que se encontram na Amazônia; ou pelo petróleo do pré sal;
- ou o cenário do "caso pior” se Brasília decidisse não acompanhá-los em uma aventura militar encaminhada a produzir "uma mudança de regime” em algum país da América do Sul ou do Caribe, replicando o modelo utilizado na Líbia ou o que está empregando a ferro e fogo na Síria.
A represália ao "Brasil-aliado desleal”, que renuncia a cumprir com seus compromissos, seria a mesma que se aplicou à Venezuela e o Brasil ficaria indefeso.
Sãos hipóteses, mais do que prováveis: porque, se houver a possibilidade zero de ocorrerem elas ocorrerão. Isto obriga que as duras realidades comecem a ser discutidas publicamente e que as populações da América do Sul comecem a discernir com clareza onde estão seus amigos – consumismo e turismo a parte, evidentemente – política de Estado é o que se quer para os Estados da América do Sul.
Não há como o Governo do Brasil ignorar ensinamentos, do Preâmbulo da Constituição Norte-americana, e nem o de John Quincy Adams (sexto presidente do país norte-americano) sobre o fato de que "Estados não tem amizades permanentes, Estados têm interesses permanentes”.
O tempo urge. Se perder a oportunidade, a América do Sul sucumbirá e será eternamente aquele injurioso quintal dos demais Continentes. A hora é esta, na qual estão todos reunidos em Montevidéu e esta é a vez da América do Sul.  Há que se terminar com as crônicas vacilações.

O Brasil, a América do Sul, unidos no MERCOSUL e na UNASUL merecem respeito. 
IBIN

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